Finalmente a segunda tira sobre o início do império de Dom oliveti. Espero que gostem.
Abraços.
Em um dia como o de hoje é inevitável olhar as mulheres, você liga a TV e lá esta; Homenagem às mulheres, anúncios sobre as mulheres, quase tudo para mulheres. Jovens bonitas e bem dispostas(coisas da grande mídia).
A verdade é que quando sai para trabalhar, não deixei de reparar em todas que passavam por mim. Negras, morenas, loiras, senhoras, jovens, diferentes tipos nada parecidas com as que eu vi pela manhã na TV. São diferentes, mas igualmente encantadoras algumas cheias de adereços outras mais discretas.
Segui meu trajeto de metro até o trabalho, e durante o trajeto saquei meu inseparável moleskine e fiz como de costume um estudo. Minha escolha não poderia ser diferente, uma mulher. Mas qual dentre tantas, então desenhei a primeira que vi, não sei se ela percebeu que eu estava fazendo seu retrato, mas segui firme tentando passar despercebido com meus olhares – algum dia acabo apanhando de algum marido ou namorado desavisado – finalizei o desenho e guardei meu caderno.
Estes retratos que faço durante a viagem, me promovem reflexões, principalmente em dias como o de hoje. Estes desenhos vão muito alem dos estudos de anatomia e expressão, eu acabo olhando as pessoas de uma maneira intima(mesmo se tratando de desconhecidos, cuja história pessoal desconheço),analisando o contexto social. Nas ultimas décadas as mulheres tiveram muitas vitórias, mas ainda há muito que se fazer.
Sou de uma geração onde as mulheres já têm “parte” seu espaço reconhecido na sociedade, falo da minha mãe que foi chefe de família a vida toda e não por ausência do meu pai, e sim por ter melhores condições de estudo e capacidade de gerenciar a vida familiar. Também acredito que devemos tornar esta sociedade mais igualitária. Mulheres e Homens devem lutar para que essa igualdade se torne real e verdadeira. Assim todos os dias serão das mulheres, crianças, idosos de cada componente da sociedade.
Aproveito também para dedicar outro desenho feito na sexta-feira anterior, que mostra a diversidade de estilos entre as mulheres que vejo no meu cotidiano.
Os desenhos podem não ser extermamente fieis às modelos, mas serve como registro deste dia, minha homenagem é simples, porem é para todas as mulheres reais e diferentes das que costumamos a ver na TV ou anúncios. Começo homenageando minha mãe, minha esposa, minhas irmãs, estendendo-se as minhas amigas, as mulheres que conheço, que irei conhecer, as que não conheço e que talvez nunca irei conhecer. Todas especiais e diferentes.
8 de março, verão de 2010.
Feliz dia internacional da Mulher.
Carlos Rocha.
Já não é novidade a ninguém que há uma grande diferença entre fazer um fanzine de quadrinhos e produzir uma história profissionalmente. Tal diferença acaba ficando clara quando surge a oportunidade de se produzir profissionalmente, são muitos os fatores para se levar em consideração. Primeiro fator, os prazos devem ser cumpridos a risca, se prometeu para o dia “X”, no dia “X” você tem que entregar. Assim planejar seu trabalho se torna necessário, ler o roteiro, fazer thumbnails, ter um diálogo aberto com o roteirista, fazer esboços de personagens, cenários e tudo mais que esta prevista no roteiro se faz necessário, para que o trabalho não corra risco de atrasar.
Nas ultimas semanas tenho sentido na pele essa transição, venho produzindo quadrinhos já há algum tempo, mas nada como o projeto que estou envolvido agora. Toda vez que sento a prancheta me vem a cabeça algumas palavras que ouvi, ou li, (não lembro bem ao certo); “Para produzir quadrinhos profissionalmente, é preciso atravessar a arrebentação entre ser leitor/fã para produtor de quadrinhos(quadrinhista)”. Tal metáfora ajuda a entender o momento pelo qual eu atravesso, e neste momento a arrebentação é forte.
Quando eu estava produzindo minhas “webcomics” diariamente, tive a oportunidade de experimentar a transição do leitor/fã para o produtor de quadrinhos. Ter idéias diariamente foi desgastante, porém, ajudou-me a entender os processos envolvidos nesta atividade, e mais importante, praticar as metodologias de trabalho que uma história em quadrinhos. Às vezes acho que sou muito “nerd” e acabo criando de maneira muito sistemática. Parte da culpa dessa minha maneira de trabalhar se deve aos inúmeros livros, entrevistas, artigos e blogs de autores que andei lendo nos últimos anos, sobre os processos de criação nos quadrinhos, percebo a importância do processo, todavia gostaria que não houvesse tantos. São tantos os esquemas e processos, que penso que poderíamos colocá-los todos em um grande organograma ou uma planilha de Excel. :p
Não acredito que o processo criativo deve ser algo mensurável, calculado coisa do tipo. Mas é de suma importância saber objetivar, sua proposta, senão vejamos; Há cerca de dois meses, iniciei uma nova “webcomics”, no início a idéia era de acontecerem atualizações semanais. Para tanto, elaborei esboços para dois meses de publicações diárias, mas no fim publiquei apenas duas. Mas então aonde errei?
Meu erro não estava no planejamento, e sim no excesso de planejamento. Diferente de um trabalho de ilustração onde é possível fazer um punhado de trabalhos ao mesmo tempo sem comprometer o “deadline”, em quadrinhos isso não é possível. Fazer quadrinhos requer quase dedicação exclusiva ao projeto. E tenho me dedicado ao Maximo a este projeto. E nessa dedicação é onde começo a reconhecer o final da arrebentação, ainda estou nadando e engolindo água. Mas já é possível avistar uma área de calmaria, e quem sabe logo começar a surfar em grandes ondas, onde só os profissionais surfam.
Obrigado pela visita e paciência.
Carlos Rocha.
Tiras, revista independente e euforia
By Carlos Rocha on October 5th, 2009Posted In: Artigos, Geral
Durante o mês de Setembro produzi diariamente tiras de quadrinhos. Obviamente boa parte do material contém erros e são pouco consistentes, mas provavelmente nunca produzi tanto quando no neste mês. Experiência que levo para as minhas futuras Hq’s. Escolhi ter os textos em inglês mais por um problema técnico do que por qualquer outro motivo, isto acabou gerando algumas reclamações, principalmente porque acabei cometendo vários erros (rsrs).
Como minha intenção foi de aprendizagem e não de quebra de recorde ou coisa parecida, estou diminuindo o ritmo da produção, que por sinal é muito intenso. Meu próximo objetivo é fazer publicações duas vezes por semana , assim eu poderei dar mais atenção a todo processo, afinal fazer quadrinhos não igual a fazer pão, que todo dia tem que sair quentinho e fresquinho.
Voltando ao assunto da produção diária, este mês estarei lançando uma revista independente chamada “Pelas Bordas” , resultado de algumas oficinas que aconteceram no SESC Pompéia. Algumas das tiras produzidas aqui serão publicadas lá. A revista é um catatau de 192 páginas de quadrinhos no formato de pocketbook (9,5 x 6,5 cm), que reuni os participantes dessas oficinas, pessoas que estão iniciando agora, roteirista e ilustradores buscando novos horizontes e até “veteranos” (como o que vos escreve), todos orientados pelo Gualberto Costa (Gual). A publicação contará também com as participações especiais do Jal que gentilmente cedeu uma de suas histórias para nossa revista e do Nobu Chinen que tambem gentilmente permitiu que publicássemos seu ártico sobre a revista independente Balão.
Este foi um desafio muito interessante e intenso do ponto de vista editorial, pois em apenas 4 encontros dominicais, criamos uma revista que carrega consigo uma questão complicada; Como reunir em um espaço tão pequeno um universo tão grande de pessoas? Bom a resposta logo será respondida nas páginas de Pelas Bordas.
Estou bastante eufórico com essa nova perspectiva, estar de volta a uma produção que abandonei durante a faculdade, da um gás novo, tanto no que diz respeito a minha vida profissional quanto á minha produção artística. Tenho aplicado um olhar mais critico sobre as coisas que faço diariamente e estado mais alerta as histórias que me rodeiam. Para finalizar repito o que muitos quadrinhistas disseram no ultimo HQMix;
Quadrinhos é foda!
Balões, onomatopéias e algumas idéias na cabeça
By Carlos Rocha on September 17th, 2009Posted In: Geral

O outro lado de se fazer uma webcomics diária, é o laboratório que você cria. As webcomics são ideais para experimentações de formatos nos quadros, balões e onomatopéias. Nas ultimas que produzi, busquei explorar bastante essas características.
Os balões geralmente são usados de maneira burocrática, é muito comum e principalmente quadrinhistas desenhistas, quando produzem suas histórias, apenas transpor os textos e diálogos para os balões e onomatopéias, deixando assim que a imagem resolva o resto. È fato que existem quadrinhistas fantásticos que conseguem narrar a história apenas com suas imagens, sempre que penso nesse tipo de artista me lembro do Quino, mas isso é assunto para outro artigo.
A existência de mestres como estes não significa que o uso de onomatopéias e balões é a solução dos fracos, o que de fato ocorre é que ao se utilizar dessas ferramentas, o artista de quadrinhos torna seu trabalho mais expressivo e verdadeiro. Aproximando o leitor da história. Afinal o mundo é cheio de ruídos e em um suporte bidimensional, como é o caso de HQs, o uso de recursos assim ajuda na verossimilhança da história.
Mas quando nos colocamos a pensar nessas ferramentas, logo chegamos à conclusão que com as tecnologias recentes possibilitam agregar até sons nas HQs. Já vi muitas experiências com sons animações e outras coisas mais, com o intuito de se criar um novo tipo de linguagem nos quadrinhos. Sinceramente. Quadrinhos é um tipo especial literatura e assim como os livros, devem ser lidos.
De volta ao assunto, criar histórias diariamente proporciona essa aproximação com a linguagem e com suas particularidades. Pontos que depois de um bom tempo sem produzir histórias em quadrinhos, havia esquecido da sua importância na construção da história. Contar histórias em quadros sequenciais não consiste apenas em desenhar e colocar textos em balões, mas de uma maneira bem singular, é a arte de interpretar uma história.
Alguns meses atrás a Livraria da Vila propôs um tipo de “concurso cultural”, o qual teve bastante repercussão entre os ilustradores. Não vou ficar me estendendo no assunto já que ele foi bastante discutido, nos meses anteriores em blogs de ilustradores, lista de discussão e bastidores da ilustração. O fato que o tema sugerido era criar três Ilustrações (diferentes entre si… ?!?!?) com o tema conto de fadas.
Topei o desafio, não com o intuito de participar do tal concurso, mas como desafio pessoal. Os contos de fadas não são um tema com o qual eu tenha trabalhado muito, apesar de ser um assunto freqüente para ilustradores, gosto muito das histórias em quadrinhos, principalmente as “mundanas” (entenda-se super heróis, rs rs), o que me leva a fazer muitos estudos de personagens e estilos voltados a este universo. Já sobre contos de fadas, não me recordo te ter feito muitas coisas com este tema. Desafio lançado, parti então para a luta, criar três ilustrações diferentes com este tema. Minha primeira escolha foi a chapeuzinho vermelho por ser talvez a primeira história do gênero que me veio a cabeça.
Dentre inúmeros esboços escolhi este que me pareceu mais sombrio, o tema da ilustração é uma espécie de “A escolha pelo caminho errado”. A floresta cheia de arvores sem folhas envolvendo a garota, a atmosfera avermelhada confundindo-se com o capuz e o casaco da menina, quase um prelúdio do banquete que o lobo terá na casa da avó dela, sim, apesar da escolha de uma palheta de cores bem alegre e do olhar bem calmo da menina, o tema é sombrio.
Alem deste tema que julgo que foi o que desenvolvi melhor o conceito, fiz alguns estudos para o lobo mau, e para outro conto, este menos sombrio e mais lúdico;Pinóquio. Ambos estão na gaveta, esperando uma oportunidade para serem finalizados.
Por fim, acredito que dos projetos que não finalizei, o que interessou mais foi a temática da chapeuzinho vermelho, que algumas vezes parece meio gasta pelo tempo.
Abraços e obrigado pelas visitas.








