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Leitor, fã e aonde esta o profissional?

Posted March 5th, 2010 in Geral by Carlos Rocha
Ilustração publicada originalmente na tira crônicas de 08/09/2009

Ilustração publicada originalmente na tira crônicas de 08/09/2009

Já não é novidade a ninguém que há uma grande diferença entre fazer um fanzine de quadrinhos e produzir uma história profissionalmente. Tal diferença acaba ficando clara quando surge a oportunidade de se produzir profissionalmente, são muitos os fatores para se levar em consideração. Primeiro fator, os prazos devem ser cumpridos a risca, se prometeu para o dia “X”, no dia “X” você tem que entregar. Assim planejar seu trabalho se torna necessário, ler o roteiro, fazer thumbnails, ter um diálogo aberto com o roteirista, fazer esboços de personagens, cenários e tudo mais que esta prevista no roteiro se faz necessário, para que o trabalho não corra risco de atrasar.

Nas ultimas semanas tenho sentido na pele essa transição, venho produzindo quadrinhos já há algum tempo, mas nada como o projeto que estou envolvido agora. Toda vez que sento a prancheta me vem a cabeça algumas palavras que ouvi, ou li, (não lembro bem ao certo); “Para produzir quadrinhos profissionalmente, é preciso atravessar a arrebentação entre ser leitor/fã para produtor de quadrinhos(quadrinhista)”. Tal metáfora ajuda a entender o momento pelo qual eu atravesso, e neste momento a arrebentação é forte.

Quando eu estava produzindo minhas “webcomics” diariamente, tive a oportunidade de experimentar a transição do leitor/fã para o produtor de quadrinhos. Ter idéias diariamente foi desgastante, porém, ajudou-me a entender os processos envolvidos nesta atividade, e mais importante, praticar as metodologias de trabalho que uma história em quadrinhos. Às vezes acho que sou muito “nerd” e acabo criando de maneira muito sistemática. Parte da culpa dessa minha maneira de trabalhar se deve aos inúmeros livros, entrevistas, artigos e blogs de autores que andei lendo nos últimos anos, sobre os processos de criação nos quadrinhos, percebo a importância do processo, todavia gostaria que não houvesse tantos. São tantos os esquemas e processos, que penso que poderíamos colocá-los todos em um grande organograma ou uma planilha de Excel. :p

Não acredito que o processo criativo deve ser algo mensurável, calculado coisa do tipo. Mas é de suma importância saber objetivar, sua proposta, senão vejamos; Há cerca de dois meses, iniciei uma nova “webcomics”, no início a idéia era de acontecerem atualizações semanais. Para tanto, elaborei esboços para dois meses de publicações diárias, mas no fim publiquei apenas duas. Mas então aonde errei?

Meu erro não estava no planejamento, e sim no excesso de planejamento. Diferente de um trabalho de ilustração onde é possível fazer um punhado de trabalhos ao mesmo tempo sem comprometer o “deadline”, em quadrinhos isso não é possível. Fazer quadrinhos requer quase dedicação exclusiva ao projeto. E tenho me dedicado ao Maximo a este projeto. E nessa dedicação é onde começo a reconhecer o final da arrebentação, ainda estou nadando e engolindo água. Mas já é possível avistar uma área de calmaria, e quem sabe logo começar a surfar em grandes ondas, onde só os profissionais surfam.

Obrigado pela visita e paciência.

Carlos Rocha.

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One Response so far.

  1. Daniel Gisé says:

    Carlos, primeiro fico muito feliz que você tenha caído na água (qualquer dia a gente se tromba na arrebentação). Segundo, você tá falando uma grande verdade. Desde 2008 que estou num projeto de história em quadrinhos longa. De lá pra cá voltei a estudar desenho, perspectiva e roteiro. Não sei qual desses 3 dói mais. Roteiro é um mega-campo de possibilidades e de regras, e desenho “meus chapas!” não é mole não. Cada vez descubro mais e mais coisas nesse estudo e a coisa não tem fim mesmo. Encarar uma HQ de 10 páginas não é igual a encarar uma de 100. Nessa hora a coisa fica preta, parece um gigante invensível e penso em fazer biblioteconomia. Nessas horas só a insanidade salva, é preciso ser insensato e desenhar feito um condenado, se tornar o tipo de cara que desenha babando e as tias quando passam perto do local de trabalho cochicham “Não interrompe não senão é capaz dele sair na rua pelado!”. É mais ou menos por aí…

    Abraço!

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